21/10/14

O Bem-estar Animal nas Intervenções Assistidas com Animais (IAA)

Fala-se cada vez mais em Intervenções Assistidas com Animais (IAA) e todos nos enternecemos com a capacidade que os animais têm para desbloquear algumas situações, arrancar-nos sorrisos e derreter o nosso coroção.

Mas será que com o aumento sa oferta nesta área temos sempre em conta o bem-estar do animal? Pessoalmente, fico sempre desconfiada porque acho que não é fácil fazer este trabalho e é preciso conhecer bem os animais e respeita-los. Não basta juntar um cão meiguinho e fofinho a um profissional de terapias e temos tudo para fazer Intervenções Assistidas com Animais... Por isso Gostei tanto de ouvir o Pedro Rosa no IV Congresso da PSIanimal, e partilho convosco as respostas às perguntas que lhe fizemos.

Porque é importante ter em consideração o bem-estar do animal em Intervenções Assistidas com Animais (IAA)?

Uma vez que as IAA são, por definição, desenvolvidas com o recurso a um ou mais animais, é fundamental vê-lo(s) para lá da sua utilidade, da sua instrumentalização e dos papéis que possam desempenhar junto das pessoas na concretização de objectivos que, desde logo, são nossos... não deles.

Para que se possa encarar esta prática do ponto de vista ético, importa entender o animal como um ser senciente, isto é, com capacidade de experienciar prazer, mas também ansiedade ou frustração, com necessidades e motivações próprias. É, por isso, da responsabilidade do tutor do animal em contexto de sessões:

 1) Assegurar todas as suas necessidades
 2) Garantir que este está adequadamente treinado e preparado para a prática de IAA
 3) Minimizar quaisquer impactos negativos que possam advir das dinâmicas programadas para as sessões
4) Potenciar experiências positivas ao animal que promovam o seu bem-estar antes, durante e depois das intervenções

O desrespeito pelo bem-estar de um animal de IAA pode ter consequências não só para este, mas também para os restantes intervenientes. O animal pode responder negativamente perante situações de ansiedade e stress, sendo directamente prejudicado, e/ou dirigir o seu comportamento de forma desadequada aos que o rodeiam.

Mais do que uma preocupação, o bem-estar animal nas Intervenções Assistidas, deve ser entendido como um requisito elementar para a sua prática. Só um animal em boa condição física e mental está à altura das exigências dos comandos e comportamentos que lhe são pedidos pelos técnicos/tutores e, consequentemente, ser uma mais-valia na concretização dos seus objectivos. Garantir o bem-estar animal é, por isso também, assegurar a (boa) prática das IAA.  

Como identificar os sinais de stress num cão? O que fazer nestas alturas?

Os sinais de stress num animal podem ser muito diversos e nem sempre perceptíveis a um olhar menos atento ou treinado. No entanto há sinais comuns que o cão nos dá, fáceis e claros de identificar, quando é confrontado com situações que são para si menos confortáveis ou adversas. Pela facilidade de observação, destacaria o desvio do olhar do animal perante situações, pessoas ou objectos, a sua saída espontânea do local onde a acção se possa estar a dar, o arfar excessivo, a vocalização, o coçar e/ou o lamber do nariz.

Para além destas, há muitas outras que podem ser aprofundadas pelos profissionais e entusiastas das IAA através da pesquisa por indicadores comportamentais de stress em cães.
Sinalizados um ou mais comportamentos desta natureza, é importante perceber o que está a causar desconforto ao cão e não forçá-lo a dar respostas a mais comandos nessas condições. É o tutor que deve mudar o comportamento perante o cão e não o contrário.

É fundamental entender as intervenções sobre a perspectiva do animal e considerá-lo com base na sua individualidade, procurando conhecê-lo sempre melhor, e entender os sinais que nos transmite, uma vez que cada cão é um cão com as suas capacidades, limitações e motivações próprias.
Mais do que remediar, diria que é urgente prevenir e, para tal, só um treino adequado às necessidades do animal e especificamente definido para Intervenções Assistidas, aliado a um tutor responsável, pode garantir um cão saudável física e mentalmente.

A oferta aumentou nesta área. Como posso assegurar a escolha de um profissional para realizar uma actividade em segurança?

Uma vez que este tipo de serviço não está ainda enquadrado na Lei portuguesa, nem existe por cá certificação de técnicos para o efeito, a escolha do profissional de IAA pode ser efectivamente um desafio e deve ser naturalmente ponderada e estudada para que se possa usufruir de um trabalho credível, realizado por pessoas sérias e bem formadas para o efeito.

É importante desde logo esclarecer que ser treinador canino não chega e que esse não é mesmo sequer um requisito para o efeito. Importa sim, desde logo, apurar qual o tipo de treino de base tem o cão e o próprio o técnico de IAA. Como tal, deverá ser do conhecimento dos clientes que, infelizmente, existem muitos cães treinados sob métodos aversivos baseados no medo, totalmente desadequados para a prática de IAA - e não só - e para o próprio bem-estar do animal e, por outro lado, existem métodos de treino positivos em que apenas é potenciada a pré-disposição do animal para aprender novos comportamentos, respeitando e condicionando a sua própria motivação sem o forçar a dar quaisquer respostas comportamentais.

Para além do tipo de treino, lembraria que as Intervenções Assistidas por Animais são práticas que incidem fundamentalmente nas áreas da saúde e da educação, pelo que é desde logo pertinente que a pessoa que presta este serviço tenha formação profissional adequada e correspondente ao trabalho que poderá desenvolver, seja no domínio da psicologia, saúde mental, educação, fisioterapia, motricidade, entre outras. Assim, e em função dos objectivos pretendidos, o cliente deverá procurar um profissional competente no domínio em que possa vir a intervir. As formações em Intervenções Assistidas por Animais e as bases de formação anteriormente referidas deverão ser complementares e não valer por si, isoladas.

Outro factor que pode ser um bom indicador da prática de IAA é a presença ou não de um guia, isto é, de um tutor que se dedique apenas ao animal durante as intervenções. Deste modo, o ideal é que exista uma pessoa responsável pelo cliente ou clientes em sessão, e outra que faça a gestão do cão, na concretização de um trabalho personalizado, seguro e adequado às necessidades de todos os intervenientes.

Estes factores podem ajudar na escolha, sendo da responsabilidade do cliente colocar todas as questões que considere pertinentes. Para as pessoas interessadas que procurem profissionais na área deixo por isso a sugestão:


Se não gostar da abordagem e/ou sentir constrangimentos por parte do(s) técnico(s) em responder às suas perguntas sobre tipos de treino, formações relativas às áreas de trabalho, métodos de trabalho uni ou multidisciplinar, bem-estar do cão e quaisquer outras que o(a) preocupem, não se limite a conhecer mais do que um tipo de trabalho. Um bom profissional responderá adequadamente e com segurança às suas dúvidas.


20/10/14

Treinar Gatos, Estimular Gatos, Ambientes Cat-friendly

No seguimento do IV Congresso da PSIanimal, achámos que teriamos de partilhar todos os que nos seguem o que ouvimos especialista em gatos, Sara Fragoso, falar no congresso.

Fala-se muito de Cães, de comportamento de cães... e então os gatos?
Fazemos tantos pet sittings de gatos e percebemos que ainda há um mundo por descobrir e para partilhar com todos os cat lovers!

Enriquecimento ambiental e estimulação mental para os nossos gatos? O que é isso e qual o objectivo?

O gato é cada vez mais a opção como animal de companhia, muito provavelmente devido ao estilo de vida que temos, sempre atarefados e cada vez mais a viver em apartamentos. Os gatos têm fama de serem autossuficientes e independentes, sendo por isso considerados uma boa opção como animais de companhia. Muitos consideram que água fresca, comida nutritiva e areão limpo são as condições necessárias para que tudo corra bem… ERRADO! Todos os animais (incluindo nós, humanos) necessitam de um ambiente estimulante que promova a sua atividade física e mental. Na perspetiva do gato que vive nos nossos lares, o ambiente em que se encontra é muitas vezes aborrecido, pois não têm quase nada para fazer. Caçar, lutar, acasalar, marcar território, interações sociais diversas, evitar situações perigosas, procurar locais para descanso… entre outras atividades, ocupam o dia de um gato em liberdade! 

Como resultado de um ambiente pobre, muitos gatos podem desenvolver problemas de saúde, como o aumento de peso, e problemas de comportamento, como arranhar o sofá, miados intensos e constantes, “caçar” pernas, urinar e defecar no local errado… No entanto, muitos destes comportamentos apesar de não agradarem ao tutor são perfeitamente normais, como é o caso de arranhar o sofá. Torna-se então evidente a importância de adaptar o ambiente dos nossos lares às características e necessidades do gato. 

O Enriquecimento Ambiental (EA) pode dar a resposta necessária. O EA refere-se a objetos ou situação que proporcionamos aos nossos gatos para que possam manifestar comportamentos naturais da espécie. Ambientes enriquecidos promovem o desenvolvimento sensorial e motor, estimulam a aprendizagem e promovem o Bem-estar, evitando problemas comportamentais que em situações de intolerância por parte do tutor levam ao abandono e eutanásia. O EA é uma forma de prevenir e resolver problemas comportamentais. Voltando ao exemplo do sofá. Ninguém gosta de ver o sofá estragado, mas é normal e importante (é um comportamento de marcação com a função de comunicar) para o gato poder manifestar este comportamento. Para resolver esta questão e ficarem todos satisfeitos, devemos dar ao gato uma alternativa e colocar um arranhador onde possa fazer a marcação. Desta forma o comportamento natural, que constitui uma necessidade comportamental, irá continuar a ser manifestado mas dirigido a um alvo adequado, tornando-se em algo aceitável por parte do tutor.

As estratégias de enriquecimento ambiental utilizadas para implementar estas alterações, podem ser bastante diversas e, na maior parte dos casos, não exigem um investimento económico e são relativamente fáceis de executar. Obviamente que a escolha dos itens a utilizar ou dos desafios apresentados dependem das particularidades do gato em questão, tais como idade, experiências anteriores, estado de saúde e preferências individuais. 

Que dicas podemos dar aos donos para tornar a nossa casa mais acolhedora para os nossos gatos (mais cat-friendly)?

Tal como nós temos a nossa casa organizada por zonas os nossos gatos também precisam de ter um território organizado segundo os seus padrões. Partilhamos a casa com eles, mas algumas necessidades são diferentes das nossas e a forma como olham o mundo é também distinta. O que fazer? O segredo é tentar olhar para a nossa casa na perspectiva do próprio gato. A nossa casa é o território do gato! Será que a forma como organizamos os seus recursos faz sentido? Provavelmente não. Tal como nós o gato precisa de zonas de descanso, zonas de lazer, zonas para comer, zonas para beber, zonas para urinar e defecar. É desta forma que organiza o seu espaço quando se encontra em liberdade. Em nossa casa, acontece com bastante frequência estas zonas estarem extremamente próximas (água, comida, caixa de areia e cama lado a lado) o que gera stress e leva o gato a procurar outras zonas para manifestar alguns comportamentos (por exemplo, se a cama está próxima da caixa de areia, pode levar o gato a urinar no tapete da divisão ao lado!). Distribuir os recursos pela casa é importante. A localização dos recursos também pode ser um problema. Devem estar em sítios calmos em que os gato se sinta confortável. Por exemplo, um gato pode não utilizar a caixa de areia porque esta se encontra junto à máquina de lavar roupa. É suficiente que algumas vezes que procura caixa de areia se assuste com o ruído da máquina e evite lá voltar. Urinar noutro local da casa vai ser provavelmente o resultado da má localização.

O número de possibilidades e forma de apresentação dos recursos são outros factores a ter em conta. Quanto ao número de possibilidades (comedouros, bebedouros, caixas de areia, etc), é importante dar alternativas ao gato em situações de conflito/receio para o caso de haver alguma coisa que impossibilite acesso a determinado recurso. Esta situação é frequente em casas com mais do que um gato, em que um deles pode impedir o acesso de outro à caixa de areia. Por este motivo aconselha-se que o número de caixas de areia seja igual ao nº de gato + 1 (isto é, se tiver 2 gatos, aconselham-se 3 caixas) e que sejam colocadas em locais diferentes. No que toca à forma de apresentação, podemos referir a comida e a água. A comida em vez de ser colocada numa taça pode ser dada num dispensador de comida ou através de um jogo (jogos cognitivos onde têm que ultrapassar um desafio para conseguir comida). Desta forma para além de terem acesso a comida, estão a ser estimulados mentalmente e fisicamente, o que, entre outras coisas, poderá satisfazer o comportamento natural de caça. Água parada ou corrente? Muitos gatos preferem água corrente em vez da que é oferecida numa taça. Essa preferência é muitas vezes manifestada pelos pedidos incessantes dirigidos aos donos para lhes darem água no lavatório do wc, banheira, pia da cozinha… Um alternativa é a fonte de água. Desta forma têm acesso a água corrente e promove-se a ingestão de água, que tantas vezes é motivo de preocupação uma vez que a ingestão reduzida está relacionada com problemas orgânicos, como problemas renais.  

“Sim, o meu gato tem brinquedos.” “Sim, tem arranhadores à disposição.” Na perspectiva do dono estes recursos estão disponíveis, e para o gato? Disponibilidade não significa que estão a ser utilizados e se não estão quer dizer que não cumprem a sua função. Garantir que o gato brinca com determinado objeto e que mantém o interesse é fundamental. Uma estratégia muito simples é deixar os brinquedos em locais definidos e verificar se estão noutro sitio… se assim for quer dizer que esteve a brincar. Para manter o interesse podemos utilizar uma estratégia que muitos pais utilizam com os seus filhos. Ter uma caixa para os brinquedos e fazer a gestão dos brinquedos, apresentando apenas alguns de cada vez e ir trocando com que estão na caixa. Para além da brincadeira solitária também devemos estimular a brincadeira social. Fazê-los correr atrás de bolas que tiramos ou de penas/fitas que agitamos são duas possibilidades eficazes e económicas. No que se refere ao arranhador, também não é suficiente existir um em casa. Colocar o arranhador em zonas com significado social (por exemplo, junto aos sofás, pois é um local onde normalmente se recebem as visitas que trazem odores estranhos ao ambiente do gato) e junto a zonas de descanso são normalmente as preferidas pelo gato.

Destaca-se ainda a importância de uma zona segura. É um local tranquilo que o gato pode utilizar sempre que quiser, especialmente quando tem medo ou está desconfortável com determinado estímulo. Exemplo disso é o gato que não aprecia determinadas visitas. Sempre que aparecem deve ter a possibilidade de se refugiar. Assim evitam-se situações de stress intenso para o gato e a possível manifestação de comportamentos indesejados, como agressividade por medo. Quem define se um local é uma zona segura é SEMPRE o gato! A possibilidade de explorar o ambiente na vertical é muito significativa para a gestão de stress de um gato. Sendo por natureza predador e presa, em situações de conflito/medo o gato tende a procurar locais mais elevados para se sentir seguro… das alturas consegue controlar melhor os estímulos que PERCECIONA como ameaçadores!    

Treinar gatos é possível. Em que situações pode ser fundamental treinar o nosso gato?

É possível treinar um gato? Para quê treinar um gato? Apesar de ainda pouco utilizado em gatos, o treino positivo, é possível e importante. Têm capacidade de aprender, só temos que conhecer o seu comportamento e aquilo que pode ser utilizado para os motivar a trabalhar – o reforço. Torna-se portanto essencial o conhecimento dos princípios básicos da aprendizagem e aquilo que os motiva. Nada de excepcional… o mesmo se passa com as outras espécies! 

Treinar um gato é muito mais do que conseguir que faça alguns truques, é uma forma de Enriquecimento Ambiental que promove interacção social connosco, importante para conhecermos melhor o nosso companheiro e ele nos conhecer a nós (o treino exige observação e comunicação de ambas as partes). Este aspecto torna-se ainda mais importante quando estamos a trabalhar com uma espécie que é tão subtil na sua comunicação, como é o caso do gato.
É divertido para nós e para o gato e ajuda ainda a prevenir problemas comportamentais, muitas vezes resultantes de frustração e falta de actividade, podendo também ser útil no estabelecimento de rotinas desejáveis. Recomendo vivamente!

Por outro lado, se houver algum problema comportamental, pode ser uma ferramenta de extrema utilidade para alterar a situação. Comportamentos como agressividade, eliminação inapropriada, mobília arranhada estão entre as principais queixas. Diferentes estratégias podem ser utilizadas de forma concertada na modificação comportamental para resolução do problema. O treino integrado num plano de modificação comportamental pode trazer diversas vantagens. Entre elas destaca-se a possibilidade de promover o autocontrolo e a utilização de comportamentos aprendidos como ferramenta, na medida em que em determinada situação se pode pedir um comportamento aprendido em substituição do comportamento não desejado. Pode ainda ser usado como um instrumento de “recuperação” de animais de centros de recolha de forma a torná-los mais calmos e meigos e, desta forma, mais “adoptáveis”, aumentando simultaneamente a probabilidade de uma adopção bem sucedida. Todas as valências do treino acima referidas podem ser resumidas na grande vantagem do treino em contribuir para o Bem-estar do gato.




Gato: Fugas, 2014 (Canil Municipal de Sintra)
O Fugas faz vários comportamentos quando é pedido. Neste caso foi-lhe pedido um senta.
Foto: Bárbara Noriega

19/10/14

IV Congresso da PSIanimal

Este ano tive a alegria de participar no IV Congresso da Psianimal.
Passei um fim-de-semana muito bom em Sintra a aprender sobre comportamento de cães, gatos e mais animais de companhia como iguanas, dragões barbudos, cobras, tartarugas e porquinhos da Índia, durante estes dois dias de congresso da PSIanimal.

Há coisas que são comuns em todos: enriquecimento ambiental, estimulação mental e treino baseado em reforço positivo! É isto que também promovemos nos nossos Pet sittings  ...E melhor de tudo é saber que já contribuímos positivamente para um maior bem-estar de alguns cães e gatos que nos passam pelas mãos.

Não quisemos deixar de pedir ao Presidente da PSIanimal, Gonçalo da Graça Pereira para nos deixar alguns comentários sobre o Congressos deste ano e perspectivas futuras.

Qual o balanço deste IV Congresso da PSIanimal?

Ano após ano a família PsiAnimal cresce. O interesse pela Terapia do Comportamento e Bem-estar Animal aumenta em várias direcções... não apenas veterinários, mas muitos outros profissionais (treinadores, biólogos, antropólogos, psicólogos, zootécnicos, entre outros) e estudantes, juntaram-se neste nosso Congresso para discutir o caminho da Medicina do Comportamento e a Terapêutica quer em cães e gatos, mas também nos novos animais de companhia. Sentimos que cumprimos mais um passo nesta nossa missão.

Sente que as questões de comportamento estão a ganhar relevância junto dos Médicos Veterinários, outros profissionais da área e cuidadores? 

Sem dúvida. Os tutores dos animais procuram respostas a perguntas que formulam no dia-a-dia, que todos os profissionais da área (não apenas veterinários) precisam saber responder.

Quais os objectivos da PSIanimal até ao próximo Congresso?

Muitos.... Temos muitas tarefas para além do Congresso, que temos vindo a adiar devido ao facto deste ano que está prestes a terminar ter sido recheado de acções de formação. Este ano iremos ter menos acções de formação, mas iremos tentar atingir outras metas a que nos propusemos. Nomeadamente na edição de material de apoio e desenvolvimento de uma possível bolsa de estudo. Vamos ver o que conseguimos..

Aqui na Trela estaremos sempre atentos ao trabalho da PSIanimal. Não pos deixem de acompanhar no site e Facebook:

http://www.psianimal.org/
https://www.facebook.com/psianimal


02/10/14

O Inspector Bob



Bob - Dog walking

O bob é um cão super simpático! Faz uma grande festa quando nos vê e já nos reconhece quando nos recebe à porta de cauda a abanar. Já sabe que vem aí as amigas dos passeios! 

Com o Bob para além de passear fazermos uma verdadeira "inspecção" ao bairro que muito gosta ele de andar de focinho no chão a cheirar tudo. Não perde pitada das "notícias" e chega a casa de fiambre de fora! Tão bom!

Porta-se lindamente por isso merece sempre festas extra!




18/09/14

As árvores são o Facebook dos Cães

Quando leva o seu cão à rua é como quando você vai ao facebook.
O cão vai cheirar todas as notícias do "seu mural", ou seja bairro e fazer "likes" (xixis) em alguns "posts"(poste, árvores, arbustos.. etc, etc etc.)

Há sempre temas mais interessantes, como a cadela do vizinho com o cio, ou um xixi de um cão novo que passou por ali ou pedaço de lixo mal-cheiroso....  

Rebolar na relva, absorver todo os cheiros e deixar mais alguns faz os cães felizes. Nós partilhamos coisas no facebook com os amigos e eles partilham a rua com os amigos. Esta partilha faz todo o sentido e é saudável. 

Quando o seu cão quiser cheirar uma árvore ou uma relvinha por mais tempo, deixe, de certeza que é um post bem interessante.

15/09/14

Será que alguns donos têm coração?

"Gostaria de saber quanto custaria levar a passear um cão já com 13 anos, muito dócil devido à idade, que já a vê e ouve mal, umas 2/3 vezes por dia para fazer as necessidades, dar de comer 1 vez ao dia e mudar a água, por um período de 18 dias?" - Ás vezes recebo alguns contactos (infelizmente mais frequentes do que gostaria) que me fazem esbugalhar os olhos, cair o queixo e ler várias vezes a ver se entendi bem.

Não fazemos pet sitting a cães sozinhos por mais de  cinco dias  (ver post: quantos dias aguenta um cão sozinho) que pela nossa experiência sem companhia, começam a ficar mais tristes e mais ansiosos por não terem o contacto com pessoas. Os cães são seres sociais e adoram estar connosco. Precisam disso. Se não pode estar com o seu cão mais vale repensar nas razões porque tem um cão. 

Para além do mais a atenção dos donos, interacção com eles é tão importante como as idas à rua "para fazer as necessidades" ou dar de comer e trocar a água. Que vida levou este cão para que ao final de 13 anos o dono ache aceitável deixa-lo sozinho por um período de 18 dias? Nem quero pensar.

Felizmente a maior parte dos donos stressa por deixar os cães umas horas, ou um fim-de-semana, e ficam mais descansados quando recebem as fotos dos pet sittings depois das visitas com os cães sorridentes e de língua de fora.

"Então e se tiver mesmo de se ausentar por 18 dias ou mais?"
Nestes casos recomeçamos pet sitting de internato onde estão sempre acompanhados.  Podemos dar algumas opções de colegas que disponibilizam este tipo de pet sitting. Ou sugerimos a colaboração de um familiar ou amigo que fique com o cão ou vá passar uns dias a sua casa. Quantas vezes os cães vão para casa das "avós" e nós vamos lá ajudar nos passeios? Soluções existem basta procurar a melhor opção.

Recordo também um telefonema de uma senhora que tinha mesmo de viajar por 4 semanas em trabalho (perfeitamente natural que aconteça), e precisava que lá fossemos visitar a gata uma vez por dia e de 15 em 15 dias leva-la ao Veterinário para ela continuar o tratamento de quimioterapia que estava a fazer. Na altura estava a fazer quimioterapia com a minha Pixie e lembro-me de ter ficado parva com a proposta. Disse à senhora que não poderia aceitar este pet sitting e sugeria que a gatinha ficasse ou acompanhada por alguém ou em último caso internada. Não tomo conta de gatos sozinhos por mais de 10 dias (quando são dois ou mais fica mais fácil), muito menos num caso em que a gatinha inspira cuidados de saúde. Nem sou capaz de aguentar a ansiedade de um dia para o outro. Será que está bem? será que aconteceu alguma coisa? um gato saudável dorme, brinca, come, nós entendemos isso quando os visitamos. Mas num caso destes é fundamental haver um maior acompanhamento. Nem vejo as coisas de outra forma.. Acreditam que a senhora ficou ofendida por não aceitar não fazer o pet sitting? Para mim não há nada mais importante que o bem-estar animal e sou incapaz de aceitar um serviço onde algumas coisas, que para mim são essenciais, não estão garantidas.

Na verdade estas situações partem-me o coração.
Será que estes donos têm coração? no mínimo um de pedra.. e fico triste só de pensar a vida que estes bichinhos levam com donos de tal forma descuidados com seu bem-estar.


14/09/14

Passeio com o Rudi (para adopção responsável!)

Hoje para além dos passeios dos clientes da Trela decidi fazer um passeio diferente. Passei na Focinhos e Bigodes para conhecer os meninos que lá estão e ofereci-me para levar um cão qualquer a passear.

Disse que podia ser qualquer um que como dog walker já tinha passeado todo o tipo de cães. A Voluntária Graça que lá estava sugeriu que levasse o Rudi que estava ali no corredor e que tinha muita energia! 

Fiz um amigo novo e apresento-vos o Rudi ♥ se alguém ficar encantado com o Rudi e o quiser levar para casa terei todo o gosto em colaborar numa boa adaptação ao novo lar. Um verdadeiro doce! vejam as fotos ;)


Olhos doces Franjinhas boas, fiambrão de fora, Rudi Feliz! (e eu também!) Foi um passeio muito especial

Energia e boa disposição, mas na verdade o Rudi só puxa no início do passeio. E não é bem puxar é daqueles cães que gosta de andar com a trela em tensão porque quer cheirar tudo e não perder pitada do passeio. Aposto que com passeios regulares e com um peitoral de prender a frente a coisa fica resolvida Se alguém estiver interessado em levar o Rudi para casa eu ajudo.



Fomos dar uma volta pelo Parque do Calhau aproveitar as coisas boas que o Monsanto tem para nos dar! estava um verdadeiro dia de verão!! 

O Rudi é um cão bem disposto e meigo que está desde 2012 no canil.. é de porte pequeno e passeia lindamente. Passamos por pessoas, cães a alguns metros, comboios, bicicletas e ele esteve sempre na maior!! um espectáculo!!

Uma pausa para aproveitar uma sombra! O Rudi deixou-me pegar-lhe ao colo para beber água no bebedouro sem qualquer problema. (Esqueci-me da garrafa de agua... para a próxima não falha.)

Fiambre bom de fora! Passeei mais de uma hora com o Rudi que hoje deve ter dormido uma bela sesta. 

É tão fofinho!! tão bonzinho! ninguém se derrete? vai ser uma óptima companhia para alguém que procure um amigo de 4 patas!

ah! e tive direito a várias beijocas!! tão meiguinho! O meu sistema imunitário estava tanto a precisar destas beijocas boas!  estou de coração cheio!

Mais sobre o Rudi:
Encontrado a vaguear na CRIL.

O Rudi (2011) é muito bonito e extremamente meigo. 
Adora gente e receber festas, que retribui em abundância. De porte pequeno.

13/09/14

Sushi! um... dois... três!!!

Há cães que parecem demasiado pessoas. O Sushi é um deles.

O Sushi é um doce! Imaginem um torrão de açúcar com cerca de 40kgs. 
Tem os olhos mais expressivos deste mundo e entende tudinho o que conversamos com ele. Vira a cara de lado, levanta as orelhas, vai buscar coisas, quase que fala! Extraordinário! 

O Sushi precisa da ajuda da trela porque foi tio de dois bebés lindos que a Trela viu nascer este ano.  
Sempre que é preciso ajudamos com os passeios e o melhor de tudo é sentir nesta casa que a trela já faz parte da família. (isto sente-se! não dá para descrever num post!)

As tias Catarina e Míriam revezam-se sempre que necessário para ajudar a levar o cão a passear desde o tempo em que a barriga de gémeos já era demasiado grande para que a mãe pudesse passear o Sushi, até aos dias que correm pela dinâmica de biberões, fraldas e noites mal dormidas...

O Sushi é tão expressivo que quando estanca no passeio só falta dizer: "Continuar por ai? vamos ficar antes aqui mais um bom bocado a cheirar esta plantinha". Até que a Catarina, super-dog-walker da equipa da trela, lembrou-se de fazer um jogo com ele. "Sushi! (e conta) um...dois...três!!" e sem precisar de dizer "partida-lagarda-fugida" o sushi desatou a correr com ela todo contente!

Um dos melhores truques de sempre por ser tão simples! Se a motivação é ficar, que tal se te sugerir algo como uma corridinha cheia de entusiasmo? Já dei por mim a usar o truque da Catarina com outros cães, e a dona do Sushi também já usou o truque do 1,2,3 para desbloquear o Sushi a meio do passeio!

Genial como funciona, tão simples e tão divertido! ;) 

O Sushi é um cão demasiado pessoa, muito expressivo!

Vejam só estes olhinhos!! (aguenta coração)

um.. dois.. três!!! bora!!

um... dois.... aqui vou eu!!! 

super esperto e bem comportado!





20/08/14

Afinal não escrevemos para o boneco!

"Olá boa noite. tenho acompanhado o seu trabalho desde o início :) parabéns por tudo e sobretudo pelo seu amor aos animais. (...)"

As vezes quando menos esperamos recebemos estas mensagens que nos fazem sorrir de orelha a orelha automaticamente.


Acabo o último passeio e quando olho para o telemóvel tenho uma SMS que termina assim: 


"muito obrigada pelo seu cuidado e pelo seu trabalho, que me faz acreditar que o mundo pode ser um bom lugar. beijinhos" - óh pra mim com um sorriso gigante na cara!! 


Para se ser pet sitter gostar de animais não chega. Para além da dedicação aos cães e gatos (que merecem sempre! E tudo!) é preciso também dedicar-nos as pessoas. 

Sou fã do reforço positivo e de facto é louvável quando as pessoas perdem um minuto a deixar-nos uma frase destas! E terminar o dia com estas palavras faz-me sentir que toda a minha dedicação na trela (muitas vezes apenas por carolice e teimosia...) não é em vão! 

Saber que não escrevemos para o boneco e que todo o tempo investido na trela é lido por quem nos acompanha faz toda a diferença. 

Faço isto para além do meu "trabalho-oficial" e nem sempre é fácil coordenar dois trabalhos! Sai-me do pêlo... Obrigada por todo o apoio e carinho desde sempre! 

Bem haja a todas as pessoas que perdem 1 minuto do seu tempo para elogiar os outros! 

Já elogiaram alguém hoje? Não se esqueçam de o fazer.

O mundo seria tão melhor para os humanos (e consequentemente para os animais) se elogiássemos e reforçássemos positivamente mais aquilo que gostamos e que queremos que se repita.. 

Fica o elogio: Adoro todos os seguidores da trela que me acarinham tanto! Mesmo aqueles com quem nunca falei e que me lêem silenciosamente desse lado! 

Obrigada pelo tempo e atenção que me dão! 

Míriam 

O meu pc velhinho já sem teclas por culpa das gatas que adoram dormir em cima do teclado...

18/08/14

Puzzle para gatos!

A minha Bea engordou nos últimos meses e tive de tirar a comida a disposição dela.

Para comemorar os primeiros 100 gramas perdidos ofereci-lhe um puzzle para brincarmos juntas!  


Sempre explorei muito a estimulação mental com os cães porque eles adoram mas na verdade começo a fazer o mesmo (e cada vez mais) com os gatos.

Ela adorou a brincadeira! 
Não só por ser gulosa mas também porque como gata que é curiosa que tem um cérebro para usar :)

Os puzzles são uma óptima opção para interagir com o seu gato e para eles se entreterem com um jogo que os desafia!

Fica a sugestão para os vossos gatos.

Vejam o pequeno vídeo:

17/08/14

Gato alfarrabista

Andamos por Lisboa toda e adoramos ver os gatos as janelas, nos muros, a dormir ao sol.. É o clássico do "olha o gatinho!" Sempre que os vemos. Acho que qualquer maluco por gatos faz isto não é?

Apenas ficamos de coração nas mãos sempre que os vemos a atravessar a estrada à maluca...

Desta vez reparei neste gato a dormir na montra de um alfarrabista em Benfica! 

Coisa mais boa não é? 


Bom domingo! 

11/08/14

Asterix - será que toma a poção mágica?

Já há algum tempo que não vos apresento os amigos novos da trela (têm sido tantos!). Queria sentar-me uma tarde em frente ao Computador e tratar de actualizar o blog/facebook mas essa tarde foi sempre adiada.. Culpa do meu bicho carpinteiro que nunca me deixa ficar quieta sem nada para fazer :) (e ainda bem!)

Eis que conheço o Asterix. Caniche de 17 anos de uma família amorosa que me pediu pet sitting para as férias. Confesso que quando desliguei o telefone, depois de marcar a visita prévia, fiquei preocupada. É uma responsabilidade gigante tomar conta de animais idosos que nunca sabemos (ou podemos prever) de que forma vão reagir à ausência dos donos. Ainda assim, a regra é: cada caso é um caso e fomos conhecer o Asterix.

O que a dona não me chegou a contar é que o Asterix bebe a poção mágica! só pode!...
Tem 17 anos, não toma um único comprimido, apesar de já começar a ver mal, ouvir pior e estar cheio de artroses. A dona diz-nos: "Bem, se o notamos mais aflito, damos um comprimido para as dores e depois passa!" .. a sério? só?

Isto é o que eu chamo um verdadeiro fenómeno da natureza!

Melhor que isto é ver a vitalidade do Asterix que quando chegam visitas lá a casa vai buscar a almofada da caminha dele e faz o seu truque favorito: saltar ao eixo na almofada! ...vezes e vezes sem conta!

Fiquei rendida ao Asterix! Impressionante a vitalidade deste cão. Realmente mimo e amor fazem toda a diferença nos nossos queridos amigos!





10/08/14

Amor é...passear o cão!

Há qualquer coisa que acontece nos passeios de facto. 
É uma alegria, entusiasmo, cumplicidade, química, terapia... Pelos vistos é amor! 
 Coração de Dog Walker Cheio!


01/08/14

Amiga-sitter, avó-sitter, empregada-sitter...

É sempre bom quando os donos têm uma empregada-sitter, amiga-sitter, avo-sitter, irmão-sitter ;)

Melhor ainda é saber que quando nenhuma dessas opções funciona existem as pet-sitters.  
Quantas vezes trabalhamos todos em conjunto para que a ausência dos donos seja o menos notada possível pelos patudos.


Consegue alguém para lá passar em casa mas não todos os dias durante a sua ausência? Ok, nós podemos ajudar! Se não tivermos agenda passamos a outras pet sitters que conhecemos. Se não fale com o seu Veterinário ou pet shop da zona, muito provavelmente connhecem alguém que possa passar em sua casa.

O que não gosto ou me deixa triste é ouvir dizer que os animais são uma prisão... Isso deixa-me doente... Os animais só são uma prisão para quem não se dá ao trabalho de procurar uma solução que se ajuste.


Hoje em dia, existem hotéis e locais para férias que aceitam animais e pet sitters de norte a sul do país, muitos com possibilidade de internato, enfim, para todos os casos, gestão e um pouco de logística normalmente tornam as férias perfeitamente possíveis para quem tem animais de companhia.


Ainda assim.. Antes um dono prisioneiro que um gato ou cão "livre" e abandonado nas ruas..

Gostava de saber qual a melhor opção para o seu caso, durante a sua ausência? 
Fale connosco que podemos ajuda-lo a encontrar uma solução.





22/07/14

Happy days with Pixie


Quando criei a Trela e Companhia decidi que todas as comunicações seriam alegres e deviam evidenciar quão boa é a vida junto dos nossos bichos de estimação. Lembro-me que na altura o Facebook mostrava muitas fotos das desgraças dos apelos (que infelizmente continuam a ser imensos) e quis apenas ter posts felizes ou quanto muito informativos/educativos. É importante que se celebre e incentive os momentos maravilhosos que passamos com os nossos cães (e gatos).

Mas hoje finalmente ganhei coragem para partilhar convosco um post triste. E porquê? Porque sinto que vos devo uma explicação do meu silêncio dos últimos meses. Quem me acompanha desde 2011 notou a diferença e agradeço desde já a todas as pessoas que mostraram as saudades da minha actividade no blog e no facebook da Trela e Companhia.
Por sentir esse vosso carinho hoje partilho convosco que a minha querida Pixie partiu.
Já não está fisicamente comigo mas está comigo no meu coração.
Nos últimos meses estivemos a lutar contra um maldito cancro. Foi triste, foi muito duro ver uma doença terrível a roubar-me a minha menina-mais-que-tudo. Não tenho palavras meigas para o cancro e na verdade não tive palavras para partilhar na trela esta luta por isso estive mais ausente.  

A Pixie foi só um cão. Verdade. Mas para mim não. Foi o cão que toda a vida pedi para ter. Não foi o primeiro que escolhi, foi o que tinha de vir. A nossa história não é longa mas apenas em 6 anos temos tanta, mas tanta coisa para contar. A Pixie não foi só um cão. Foi o bicho que mudou a minha vida radicalmente. Se hoje vos escrevo este post foi por culpa dela. Ela é a cara do logotipo da Trela e Companhia, no mínimo. Na verdade a energia e espírito da trela não se dissociam da Pixie. Por causa dela descobri um mundo muito melhor e pessoas maravilhosas. A Pixie ensinou-me mais da vida que muita gente, sem menor margem para dúvida.
Nem sempre fui a melhor dona, nem sempre nos entendemos mas fico feliz por ela me ter obrigado a aprender a comunicar com ela e chegar a entendê-la melhor que ninguém. Graças a ela sou uma dogaholic assumida... Geek dos cães, como me chamam alguns amigos. Há uma Míriam antes e outra depois da Pixie.

Orgulho-me de dizer que, na verdade, já não achava que fizesse falta ela falar uma vez que conversávamos imenso. Se há coisa maravilhosa neste mundo é ter a cumplicidade de um cão. De sairmos para passear as duas e ligarem-me a saber se nos tínhamos perdido porque íamos só lá a baixo num instante levar o cão à rua.. tantos momentos e sempre tão bons. A Pixie sempre tão meiga, quanto malandra e ultra-esperta! Uma vitamina de boa disposição e de energia. Sem dúvida, do melhor que este mundo tem.

A vida gosta pregar partidas e é mesmo verdade que não podemos fazer planos para além de 5 minutos... A Pixie tirou um nódulo em Novembro no peito que afinal era cancerígeno (Mastocitoma de Grau II). Fez quimioterapia durante três meses. Quando pensava que já só íamos voltar para as vacinas, o cancro afinal estava de volta... Mais dois gânglios. Nem um mês tinha passado da última quimioterapia... Retomámos novo protocolo de quimioterapia. O cancro ora ficava mais tímido e os gânglios mais pequenos (e temos sempre esperança!), ou de uma semana para a outra explodia e aumentava. É uma verdadeira luta. E se as pessoas não merecem ter cancro os animais muito menos. Houve momentos de tristeza profunda. Não posso deixar de dizer que, felizmente este processo custou-me muito mais a mim que a ela. Além do mais, ela nunca soube que tinha cancro por isso durante vários meses esteve igual como se nada fosse. Brutal como me ensinou um montão de coisas sem nunca me ter dito uma única palavra.

Não pude infelizmente passar eu por tudo isto em vez dela. Claramente, passei a entender melhor as mães. Contudo, não pude explicar-lhe, como se fosse uma criança, o que se passava. Porque tínhamos de ir ao veterinário todas as semanas, porque tínhamos de levar aquelas picas. Porque tínhamos, a dada altura de tomar aqueles, 9 comprimidos por dia, todos os dias. Se ela esta parte ela não entendia, eu compensava dando-lhe sempre muitas salsichas no veterinário e os comprimidos em queijo fundido... Muitas associações positivas!! ...isso e todos os mimos que um cão merece.
 
Sempre que saíamos da quimioterapia íamos passear ao parque. Talvez não fosse o mais indicado correr atrás de bolas de ténis depois de uma quimioterapia. Mas como negar o passatempo favorito dela se ela estava bem-disposta a correr pelo parque? Aliás, o meu foco passou a ser fazê-la feliz. Passeávamos muito, aproveitámos os parques, corria atrás da bola até aguentar. Lembro-me de comentar com o Veterinário que havia dias que tentava poupa-la porque tinha medo que não lhe fizesse bem, mas na verdade não resistia que aquele sorriso era tudo o que mais queria ver. Ela pedia tanto para brincar. “Posso brincar assim, Doutor?” “Se vê que ela está bem-disposta, brinque com ela.” Então, não atirava a bola para longe, mas para mais perto, para que pudesse ir buscar mais vezes antes de se cansar. O entusiasmo era tanto que cheguei a pensar “ai que me morre a correr louca atrás da bola!”. Morreria feliz. Não podemos poupar-nos a sermos felizes nesta vida. Não podemos perder estes momentos. Sempre que possível lá íamos nós “sacudir o cancro” a ver se se cansava. Mas não cansou.
Não posso deixar de agradecer todo o carinho atenção de TODA a equipa de médicos e enfermeiros do Centro Veterinário Berna, nomeadamente do Dr. Joaquim Henriques e da Dra. Patrícia Duarte. Foram incansáveis, impecáveis e extremamente dedicados com a minha Pixie (e comigo também). Todo o seu apoio tornou esta luta bem mais fácil. Estávamos juntos.

Infelizmente, a quimioterapia não surtiu efeito e passamos para um comprimido mais forte específico para o cancro (o Masivet). Normalmente os cães reagem bem a quimioterapia mas não tivemos essa sorte. Acho que o cancro gostou dela também. Besta.
Sou teimosa e optimista. Sei que fiz tudo o que pude para lutar contra este cancro, assim que fiz tudo o que podia para que ela continuasse feliz. A minha mãe é Médica Ginecologista, especialista em Oncologia, mesmo sem perceber nada de veterinária ou bichos disse-me um dia: que a Pixie não sabe que tem cancro. Não tem filhos para ver crescer, não tem uma casa para acabar de pagar, não tem preocupações como as pessoas, já viste?... ela vive apenas o Hoje contigo. E no cancro não interessa a quantidade de vida, interessa a qualidade de vida e isso só depende de ti.

Naqueles dias em que me afogava em lágrimas e dúvidas, olhava para ela e ela ali estava. Feliz a viver o hoje. Os cães são tão fortes. Pixie my super Dog. Por isso fiz o que pude para que o cancro não nos impedisse de ser feliz. Daí o happy days with Pixie. Foi o lema que nos impus de forma que os nossos dias (fossem quantos fossem) fossem apenas isso felizes. E assim foi.

Na última semana o corpo começou a ressentir. Começou a vomitar. Mais prostrada, esperei que espevitasse, havia sempre alturas que ficava mais prostrada mas voltava sempre. A Pixie sofreu apenas uma semana. Estava prostrada, perdeu o apetite e fazia o que podia para lhe dar de comer para que tomasse os comprimidos. No Sábado no passeio da manhã ela a meio não quis passear, deitou-se na sombra de uma arcada de um prédio. A pata mais próxima dos gânglios no peito estava a inchar. Nessa manhã não comeu e voltou a vomitar. Liguei ao Veterinário e era melhor ela ser vista novamente, apesar de ter lá estado na véspera a levar uma injecção de cortisona e outra para ver se parava de vomitar. Se ela comesse podíamos tentar dar um comprimido ainda mais forte...

Para quê? A Pixie já não estava bem, desta vez não espevitou. Não suportava vê-la assim. De repente, deixei de ter dúvidas e tive uma única certeza. Tinha chegado o momento de deixa-la partir. Eu iria sofrer sempre, por isso não queria vê-la sofrer mais. Fomos ao veterinário e dei o último passeio com a minha Pixie. Ela seguiu viagem para um sítio muito melhor. Ficámos finalmente em Paz.
Agradeci-lhe muito por ter mudando radicalmente a minha vida, por causa dela descobri um mundo muito melhor e pessoas maravilhosas. Se hoje sou feliz foi a Pixie que me ensinou. Mais ninguém. Quem teve o privilégio de conhecê-la sabe bem que o melhor truque dela era arrancar sorrisos! (Agora mesmo arrancou mais um!) ..tão linda!  
Estou muito feliz por ter percebido que a Pixie não foi só mais um cão. Viveu apenas 6 anos, mas sei que foram 6 anos cheios, felizes e que não passaram indiferentes a muita gente. Tudo o que ela me ensinou, procuro através da Trela partilhar com os donos e com os outros cães (e gatos). Orgulho-me que já mudei a vida de alguns cães para melhor. E se fiz isso, foi porque tive o verdadeiro privilégio de ser dona da Pixie desde o dia em que a adoptei e levei aquele cachorrinho maluco de 3 quilos lá para casa.

Disseram-me que os cães tiram o melhor de nós cá para fora. Sem dúvida! Apenas precisamos deixar que isso aconteça. Por isso vivam o Hoje com os vossos cães e sejam felizes (e façam-nos felizes também).
Muito obrigada por todo o carinho e apoio de todos que estiveram comigo nesta luta. Fez mesmo toda a diferença. Contem comigo sempre que um dia precisarem.

Míriam
#happydayswithpixie

19/11/13

Era mais fácil usar a trela...

Todos os dias de manhã na minha rua...
"Billy!!! Billy!!!! Billy anda cá!!" E a senhora vai descendo a rua atrás do caniche correndo o risco de escorregar com os saltos na calçada.. Um dia até andava maluca a procura do cão.. Seria a cadela da rua ao lado com o cio?

Ontem vejo um senhor a correr atrás de um cocker que se lança a rosnar em direcção a outro cão pregando um grande susto a senhora que levava o seu cão de trela..

Este senhor pega no cão ao colo afasta-se três passos e atira o cão ao chão que se afasta logo do dono... "Bobi quieto... Bobi aqui... Aqui... Aqui... Ta quieto..." Continua a andar atrás do cão que o ignora.. 

Passo na minha bicicleta e digo apenas:
"Era mais fácil usar uma trela...."
Grita-me o homem: "e se se metesse na sua vida?" ..."era só uma sugestão!" e continuo. 

Este dono é daqueles que tipicamente quando apanha o cão lhe berra, ralha e ainda lhe dá umas palmadas para mostrar "quem manda". Isto é perfeito para o cão aprender que não é seguro ir ter com o dono porque: quando ele me apanha ralha comigo e todas as coisas maravilhosas de cão que estava a fazer (como cheirar xixis e cocós) acabam. Invariavelmente depois disso termina o passeio, finalmente o dono põe-me a trela e volto para casa a levar esticões na coleira.... Trela é fixe na hora de sair de casa.. Trela não é fixe quando estamos na rua. Fugir dela e do dono como se fossemos surdos.

Há dois anos a minha Pixie foi mordida por uma labradora solta que nos surpreendeu durante um passeio no segundo em que olhei a ver se via o dono...

Valerá assim tanto a pena armar-se em carapau de corrida e não usar uma simples trela?

As pessoas preferem chatear-se na rua com os outros, faltar-lhes ao respeito por levar o cão solto sem controlo, correr o risco de ter acidentes (o seu cão na boca de outro... ou a boca do seu cão no cão do outro), ver o seu cão quase a ficar debaixo de um carro, comer porcarias do chão... Entre tanta outra coisa só pela teimosia de levar o cão solto!

Usem uma trela extensível! Uma trela mais comprida. Soltem em lugares seguros sem correr riscos desnecessários. Treinem uma boa chamada e no mínimo respeitem os outros...

Acredito que muitos donos soltam os cães por pura preguiça ou porque nunca os ensinaram a andar de trela. O cão puxa imenso, o dono não tem pachorra..prefere soltar! - aposto que o cão já sabe o truque para fazer o dono solta-lo da trela. Conhecem aqueles peitorais de prender a frente? Experimentem!! (Ver aqui: http://trelaecompanhia.blogspot.pt/2013/05/passeios-sem-esticoes-e-direccao.html?m=1 )

Posso-vos garantir que há cães que passeiam presos e não vão pensar duas vezes em morder o vosso cão solto  a correr na sua direcção. (conheço e passeio vários assim).

"Prenda o cão!"
Resposta automática: "Ah ele não faz mal"
"Pois mas este que levo na trela morde!"

Será que as pessoas só aprendem se
 pagarem a conta do veterinário de um acidente que podia ser evitado usando uma simples trela?

Porquê que a dona no Billy não tem um passeio mais agradável todas as manhãs com o seu pequeno? E porque chega atrasada "ao serviço" porque esteve à procura do cão?

Não sou anti-cães soltos apenas não suporto as asneiradas eu se vê por aí a toda a hora. Não faz sentido ver cães e donos a correr riscos desnecessários... Por questões de segurança (e não só!) use uma trela.

Quer 5 boas razões para andar com o cão a trela?  Veja aqui: http://trelaecompanhia.blogspot.pt/2012/10/cinco-boas-razoes-para-o-cao-andar.html?m=1

passeios de trela são mais seguros e eles também gostam